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S.F. Sorrow – The Pretty Things

“S.F Sorrow” traça a história fictícia do protagonista de mesmo nome desde seu nascimento em uma cidade industrial até a morte solitária, entre os devaneios provocados pela morte de sua esposa em um acidente de balão e pelo misterioso Baron Saturday. 

 

“Mais maldosos, barulhentos, feios e cabeludos que os Rolling Stones”. Esse era o rótulo do The Pretty Things em meados da década de 60 durante a Invasão Britânica. Isso antes da banda substituir o potente e selvagem R&B dos três primeiros álbuns pelas experimentações psicodélicas com a ambiciosa ópera rock “S.F. Sorrow”, de 1968.

Uma versão mais alta, caótica, pesada e obcena do bluesman Bo Diddley, o The Pretty Things já apontava para uma nova sonoridade em “Emotions” (1967), um trabalho de transição influenciado pelo movimento psicódelico, porém demasiadamente polido, sem as caractéristicas que os tornaram conhecidos. Pressionado, o grupo resolveu chamar o produtor Norman Smith (conhecido por trabalhar com os Beatles) para dar vida ao seu mais ambicioso projeto: gravar um álbum em que as músicas possuíssem uma conexão e contassem uma história. O estúdio escolhido? Abbey Road Studios, cenário onde na mesma época os Beatles gravavam “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e o Pink Floyd, “Piper at the Gates of Dawn”

No entanto, as coisas não saíram bem como o planejado. As dificuldades financeiras e o pretensioso perfeccionismo atrasaram as gravações, que levaram mais de um ano para ficarem prontas, o que se provou ser um tiro no pé da própria banda, afinal a semana do lançamento do álbum coincidiu com a chegada do álbum branco dos Beatles e de “The Kinks Are the Village Green Preservation Society”, um álbum conceitual do The Kinks às lojas. E para piorar, “Tommy”, a ópera rock do The Who foi lançada primeramente no mercado norte-americano, o que fez muita gente pensar que “S.F. Sorrow” fosse uma simples cópia do conceito do The Who.

Primeira apresentação ao vivo de “S.F. Sorrow” na íntegra, no Abbey Road Studios em 1998 com as participações de David Gilmour e Arthur Brown.

“S.F. Narrow” narra a história de vida de Sebastian F. Sorrow, um típico britânico, cuja vida sofre uma reviravolta quando perde sua noiva em um acidente de balão. O álbum acompanha sua jornada, desde o nascimento até seu fim solitário, entre os horrores da guerra, sua terrível perda, loucura e desilusão com o mundo em que vive.

Musicalmente, “S.F. Sorrow” é uma mistura do Pretty Things antigo, recheado de vocais rasgados, guitarras blues e muita atitude com a psicodelia melancólica rica em belas harmonias, típica da nova fase do grupo.

Cada lado do vinil possui uma abordagem para a vida do protagonista. No lado A, a realidade concreta que contextualiza a vida de Sorrow, enquanto que o lado B retrata sua experiência metafísica proporcionada pelo mítico ‘Baron Saturday’, que o leva ao submundo, dentro de sua própria consciência.

As quatro primeiras canções apresentam o jovem Sorrow: seu nascimento (“S.F. Sorrow is Born”), sua infância interrompida e o trabalho na fábrica (“Bracelets of Fingers”), o primeiro amor (“She Says Good Morning”) e a convocação para a guerra (“Private Sorrow”). O ambiente é apresentado – uma cidade construída ao redor de uma fábrica (‘Factory of Misery’) – assim como o contexto econômico e político – desemprego e guerra.

Logo após os horrores da guerra, Sorrow busca refúgio em uma nova vida em ‘Amerik’ (clara referência aos Estados Unidos), onde uma tragédia muda totalmente seu rumo, ao presenciar a morte de sua noiva em um acidente de balão (“Balloon Burning”).

Eis que surge a figura de ‘Baron Saturday’ (“Baron Saturday”), inspirado no Barão Samedi, espírito da religião Vodou haitiana. Mestre dos mortos, seu papel na crença religiosa, é receber as pessoas no reino dos mortos, assim como dar vida (uma espécie de segunda chance) para aqueles que julga serem merecedores.

Todo o lado B de “S.F. Sorrow” é motivado pela presença de ‘Saturday’, que leva o agora melancólico e depressivo Sebastian aos submundos de sua consciência (“The Journey”, “I See You” e a experimental “Well of Destiny”).

Sua jornada pelo subconsciente termina quando se dá conta de que não há ninguém mais em quem confiar (“Trust”) e que é o homem mais solitário do mundo. (“Loneliest Person”).

Mais de uma década antes, “S.F. Sorrow” já estabelecia os moldes para a criação de “The Wall”, do Pink Floyd, a última grande ópera rock de uma geração. O conceito era o mesmo, ambos os personagens das óperas, Sorrow e Pink, criavam um muro, um barreira para se isolar da sociedade e de tudo que consideravam ser prejudicial a eles. Os muros eram apenas reflexos do sentimento de desilusão e de desconfiança com o mundo em que viviam.

O legado que fica é enorme, embora não seja tão conhecida, mesmo nos círculos sociais dentro do Rock. Tanto Pete Townshend e Roger Waters, embora o primeiro negue, foram altamente influenciados por esse trabalho e levaram consigo o que aprenderam com o The Pretty Things para suas mais importantes criações, “Tommy” e “The Wall”.

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