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Christmas Eve and Other Stories – Trans-Siberian Orchestra

Os antigos componentes do Savatage apresentam a primeira parte da sua trilogia de Natal. Um anjo é enviado à Terra para trazer algo que melhor simbolize a data. Em um bar, um homem ouve de um idoso, a lenda de como o dia de Natal é capaz de transformar vidas e mudar o rumo da espécie humana.

 

Chega todo fim de ano e é sempre a mesma história. Artistas compondo canções natalinas ou simplesmente propondo releituras para aquelas músicas tradicionais que ouvimos todo mês de dezembro. A lista é grande (Elvis Presley, Kenny Rogers, Garth Brooks, Kenny G, Mariah Carey, King Diamond, Rob Halfod, REO Speedwagon, Lynyrd Skynyrd, Celine Dion, Twisted Sister, entre outros. Todos, em algum momento, debruçaram suas carreiras sobre o Natal, para citar apenas alguns músicos) e parece aumentar a cada ano que passa.

Nenhum deles foi tão eloquente quanto o Trans-Siberian Orchestra (popularmente abreviado para TSO), um projeto musical criado por membros da banda de Metal Progressivo, Savatage, para justamente mesclar heavy metal com elementos da música clássica e especialmente, temas natalinos, tanto que quando a banda não está trabalhando em um álbum natalino, está homenageando sonatas, sinfonias, réquiens e óperas de gente como Beethoven, Mozart, Tchaikvosky e Bach.

A história do grupo está intimamente ligada a mente criativa do produtor e compositor Paul O’Neill, que esteve ao lado de grandes bandas e artistas como Whitesnake, Foreigner, Sting, Madonna e Bon Jovi ao longo da década de 80. No final do mesmo período, O’Neill obteve grande reconhecimento pelo seu trabalho como produtor e arranjador junto ao Savatage nos clássicos “Hall of the Mountain King” (1987), “Gutter Ballet” (1989), “Streets: A Rock Opera” (1991) e “Edge of Thorns” (1993). Aliás, foi ele quem transformou a carreira dos caras, indicando um novo direcionamento, do Power Metal direto para melodias mais complexas e álbuns conceituais do Metal Progressivo.

Dessa parceria, o TSO surgiu, com a entrada de vários membros da banda: o vocalista Jon Oliva, o tecladista Robert Kinkel e o guitarrista Al Pitrelli como o coração da banda (junto com O’Neill), e a participação do baterista Jeff Plate, o baixista Johnny Middleton, o guitarrista Chris Caffery e o vocalista Zak Stevens.

O conceito do primeiro trabalho do TSO seria contar a história da revolução bolchevique, “Romanov” (tanto que daí surgiu o nome da banda), porém o projeto foi colocado de lado, e assim o primeiro álbum saiu em 1996, sob o título de “Christmas Eve and Other Stories”, um projeto conceitual e o primeiro registro da trilogia de natal do grupo.

Sentado num bar, um homem, desiludido e utilizando a bebida como desculpa para escapar de seus problemas, recebe a visita de um senhor misterioso, que propõe lhe contar uma história. A história de um anjo, que a pedido de Deus, é enviado à Terra para Lhe trazer o que melhor simbolize a data do Natal. Seja uma música, uma lágrima de uma criança ou o pedido de um pai. A narrativa em detalhes está na página da própria banda. (em inglês).

“Christmas Eve/Saravejo” já aparecia em “Dead Winter Dead”, álbum conceitual do Savatage sobre a Guerra da Bósnia

A moral do álbum é a velha história que estamos acostumados a ouvir, que o Natal é o símbolo de esperança e amor, época onde todos estão mais solidários e propensos a ajudar o próximo. Mas se por um lado, o conceito é vago, pouco complexo e as músicas dentro do disco não são tão bem conectadas como em outras óperas rock, isso é compensado pela habilidade criativa de O’Neill, Oliva, Kinkel e Pitrelli de reinterpretar e reinventar canções populares num estilo pesado, sinfônico e orquestrado. Mais do que isso, o TSO vai muito além. É um projeto grandioso, com dezenas de músicos envolvidos e espetáculos teatrais que hoje, já pode-se dizer, são parte da cultura norte-americana. E para comprovar a megalomania, existem dois grupos, o TSO West e o TSO East, que durante os períodos de inverno no hemisfério norte excursionam em diferentes partes dos Estados Unidos.

“Basicamente eu estava compondo sob o trabalho de todo mundo que eu venerava: as partes de ópera rock de bandas como o The Who; o casamento da música clássica com o rock de bandas como Emerson, Lake & Palmer e Queen; os incríveis shows de luzes de bandas como o Pink Floyd. Eu sempre quis fazer uma ópera rock completa com uma banda de progressivo e ao menos 24 vocalistas”.

Paul O’Neill

O que ouvimos em “Christmas Eve and Other Stories” são releituras muito bem feitas de canções natalinas conhecidíssimas e tradicionais, como “O Holy Night”, “O Come All Ye Faithful”, “The First Noel” e “God Rest Ye Merry Gentleman”, inspirações que serviram para a composição das outras músicas do álbum.

A verdade é que o Trans-Siberian Orchestra não é nada mais que uma evolução natural da carreira do Savatage (afinal, é composto por membros do grupo), tanto que se de certa forma, a escolha de batizar o projeto com outro nome revigorou seu espaço no mercado da música, o som não se diferenciou muito das últimas investidas da finada banda de Metal Progressivo, como em “Handful of Rain” (1994) e “Dead Winter Dead” (1995). Obviamente, o estilo não é tão pesado e há muitas orquestrações, coros e múltiplos vocalistas, mas vê-se uma clara semelhança.

“A Mad Russian’s Christmas” é a versão para tema do segundo ato do balé “O Quebra Nozes” do russo Tchaikovsky

“Christmas Eve and Other Stories” até tem um conceito sem graça e pode desagradar o fã da era áurea do Savatage pela falta de peso, o clima alegre e os corais natalinos, mas com certeza é uma boa escolha para aquele que gosta da mescla entre rock e música clássica e especialmente, para quem deseja fugir da mesmice das músicas de fim de ano.

A crítica do segundo álbum da trilogia você confere aqui.

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