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(Music From) The Elder – Kiss

Um conselho de anciões, pertencentes à Ordem das Rosas, recruta e prepara um jovem para ajudá-los no combate ao mal. A história acompanha a trajetória do garoto até ser definitivamente escolhido como um membro da Ordem.

 

Nove álbuns de platina, um produtor viciado em cocaína, um baterista derrubado pelo alcoolismo, membros da banda descontentes com o novo direcionamento musical, vendas em baixa e um álbum conceitual. Este era o Kiss no começo dos anos 80, prestes a trabalhar no álbum que tinha como objetivo recuperar a carreira do grupo, em baixa pela opção de domesticar o som selvagem e festeiro dos anos anteriores.

Diferentemente de muitas bandas, alheias às críticas sobre o direcionamento musical que deviam seguir, o Kiss sempre foi uma daquelas bandas (senão a maior) obstinadas com a grandeza e o sucesso. Que os platinados “Destroyer” e “Love Gun”, o rótulo de banda polêmica, as apresentações eloquentes e a conquista do mundo não eram suficientes para Gene Simmons e Paul Stanley, já era um fato consumado.

Em 1979, “Dinasty”, que flertava com a Disco Music, torceu o nariz de muito fã. E “Unmasked” (1980), um pop rock insosso foi pelo mesmo caminho. A intenção era tornar o Kiss maior ainda e para isso, conquistar fãs de outros estilos musicais. Se em parte isso aconteceu, por outro lado, fãs tradicionais foram se afastando cada vez mais, por sentir que o grupo valorizava muito mais o dinheiro do que a música que faziam.

E o Kiss sabia que precisava dos fãs antigos para continuar sendo o que era.

Todos dentro da banda sabiam que retornar às raízes era extremamente necessário. Ace Frehley e Eric Carr (o baterista original Peter Criss já não era parte do grupo há mais de um ano, embora Carr fosse estrear apenas agora em um álbum do Kiss) queriam um álbum direto, hard rock do início até o fim como nos três primeiros, “Kiss”, “Hotter Than Hell” e “Dressed to Kill”. Porém isso era simples demais para a cabeça de Gene e Paul, que almejavam um álbum conceitual, uma espécie de trilha sonora para um filme que a banda ainda iria produzir.

E para “(Music From) The Elder”, chamaram Bob Ezrin, o produtor canadense por trás dos álbuns mais bem sucedidos de Alice Cooper, o mago de produções conceituais gabaritadas, como “The Wall” (Pink Floyd) e “Berlin” (Lou Reed), e com quem o Kiss já havia inclusive trabalhado (5 anos antes em “Destroyer”).

Em “Destroyer”, possivelmente o álbum mais polido e bem produzido até então, Ezrin (que ajudou a compor 80% do material) já havia trazido sonoridades novas ao Kiss, desde os coros de “God of Thunder” e “Great Expectations” às orquestrações de “Beth”, balada que fugia totalmente ao estilo que o Kiss impôs nos seus três primeiros registros e que até hoje é seu single de maior sucesso.

Agora, 2 anos depois de ter composto a obra-prima do Floyd, Bob Ezrin tinha a missão de recuperar o prestígio do Kiss, abalado por fracassadas tentativas sucessivas.

E se as mudanças em 1976 aumentaram ainda mais a popularidade da banda, em “(Music From) The Elder”, a ruptura quase que total com o antigo som do Kiss causou estranheza e consequentemente tornou esse o álbum de menor vendagem do grupo.

Com orquestrações, teclados e coros num conceito épico, o Kiss não tentava apenas restabelecer a notoriedade como uma das maiores bandas de rock, mas ir além e estabelecer novos parâmetros. Porém, a febre dos álbuns conceituais já havia passado e “The Wall” era o último gigante de uma era grandiosa de álbuns conceito.

“O que poderia ser menos promissor à esse ponto do jogo do que um álbum conceitual do Kiss? Após ter escrito pura bobagem para crianças de 8 anos de idade, quem pensa em levá-los a sério? As novas músicas são cativantes, as performances respeitáveis, e apesar do conceito, “(Music From) The Elder” é melhor do que qualquer coisa que o grupo tenha gravado em anos.”

J.D. Considine, crítico da Rolling Stone

Perseguidos pela crítica (especialmente a Rolling Stone) desde 1974, possivelmente o erro do Kiss em “The Elder” foi ter feito um disco para os críticos musicais. Um álbum mais maduro em que a banda mostrasse que sabia escrever canções melódicas e bem construídas dentro de um álbum denso, que tivesse algo a contar, e sem cair nos velhos clichês do Hard Rock, já popularizados anteriormente por tantos grupos como The Who, Led Zeppelin, Deep Purple, Alice Cooper, Nazareth, Aerosmith, entre outros. Até a imagem do grupo se transformou: nada de imagens do grupo maquiado na capa (pela primeira vez) e cortes de cabelo mais comportados deram o tom da mudança.

A opção do Kiss de trabalhar no projeto em sigilo absoluto não foi nada menos do que mais um tiro no pé. Era compreensível a reação de espanto dos fãs, por mais que “Unmasked” e “Dinasty” tivessem sido pequenas manchas na carreira multi-platinada do grupo.

Afinal, quem imaginaria ouvir Paul Stanley cantando em falsete, Gene Simmons emprestando seus vocais para uma balada super melosa (e até soltando uma lágrima no vídeo de “A World Without Heroes”), faixas predominantemente orquestradas, reunidas num álbum conceitual com clima épico medieval? Tudo isso em um álbum do Kiss. Todavia, “I” e “Dark Light” são músicas que facilmente se encaixariam em “Rock And Roll Over” e num álbum solo de Ace Frehley respectivamente.

O erro aqui foi o Kiss ter levado a sério demais o conceito, a música e toda a história que cerca a trama do álbum. Longe da profundidade do Pink Floyd e das ideias psicodélicas das primeiras obras conceituais, as letras não passam de pura tolice pretensiosa.

“Há grandes momentos com certeza, e alguns clássicos enterrados no disco. Porém no geral, é muito auto-indulgente e superproduzido. É também não foi completamente concretizado. Não há material suficiente, e a história não é bem elaborada. É um fracasso interessante, eu acho.”

Bob Ezrin

A recepção desastrosa de “(Music From) The Elder” (as vendas foram piores ainda que “Unmasked” e o grupo nem saiu em turnê para promover o disco) escondeu por décadas, relíquias como “Just a Boy”, “Odissey” e “The Oath”, que hoje são relembradas por um movimento cult, crentes de que este é o melhor álbum do Kiss.

Os efeitos dessa e das últimas duas experimentações que o Kiss havia feito com sua música pavimentou o caminho para um álbum mais pesado e de volta às raízes, em “Creatures of the Night” no ano seguinte, só que agora com uma baixa, sem Ace Frehley.

Excluindo o pretensiosismo e o conteúdo poético que beira o ridículo, este é o registro mais trabalhado, polido e dedicado da banda. Há muito pouco (quase nada) de Kiss em “(Music From) The Elder”, mas ainda sim, belas canções no seu sentido mais literal.

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