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Seventh Son of a Seventh Son – Iron Maiden

Influenciado em parte por “Seventh Son” de Orson Scott Card e em parte pelo folclore que cerca o sétimo filho do sétimo filho, o Iron Maiden cria seu primeiro álbum inteiramente conceitual, no qual o protagonista, disputado pelas forças do bem e do mal, é dotado de dons especiais, como a clarivisão.

 

Reis da cena metálica da década de 80 ao lado do Judas Priest, a sensação em 1985 era de que o Iron Maiden havia conquistado o ápice criativo com sua obra-prima, “Powerslave”. A turnê mundial (World Slavery Tour) apenas comprovou o fenômeno mundial em que o grupo havia se tornado, excursionando por quatro continentes durante 331 dias num total de 187 apresentações. Exaustante, mas fundamental para que a banda desse um tempo para refletir sobre os próximos passos que daria.

Pouco mais de um ano depois, a banda já disponibilizava no mercado, seu próximo álbum, o sexto de estúdio, “Somewhere in Time”. Um passo ousado que se hoje é reverenciado pelos fãs, na época gerou muitas críticas, especialmente pelo uso dos sintetizadores. Mais complexo musicalmente do que os anteriores e homenageando as influências do rock progressivo que o grupo carrega, o registro já apontava um caminho um pouco diferente do Power Metal que mudou o cenário em 1982.

Em 1988, apenas três primaveras depois da consagração do Maiden como a principal referência dentro da cena, o grupo já tinha companhia. Metallica, Megadeth e Queensrÿche, por exemplo, já eram tidos como o futuro do gênero ao apostar em composições mais técnicas, com quebras de tempo e estruturas mais complexas, rememorando os clássicos progressivos da década anterior.

Em Abril do mesmo ano, foi a vez do Iron Maiden expandir a proposta mais progressiva de “Somewhere in Time” num álbum conceitual, o sétimo de estúdio, “Seventh Son of a Seventh Son”.

Inevitável que o grupo não esbarre nas referências literárias do baixista Steve Harris e do vocalista Bruce Dickinson. O conceito base surgiu a partir da morte da medium britânica Doris Stokes (a ideia de alguém que vê o futuro, mas não pode prever a própria morte) e foi inspirado nos livros “Seventh Son” de Orson Scott Card (narrativa de fantasia, no qual o sétimo filho do sétimo filho possui dons paranormais e é disputado por forças do bem e do mal) e “Moonchild”, de Aleister Crowley (ficção do ocultista britânico sobre uma guerra entre magos por uma criança ainda em gestação).

Embora já tivesse apostado em álbum predominantemente temático, em “Somewhere in Time” (viagens no tempo, tempo e espaço), “Seventh Son of a Seventh Son” é o primeiro esforço do grupo em um registro conceitual. E aqui, vemos novamente o Maiden flertando com temáticas recorrentes, como o misticismo e o sobrenatural (embora não haja nenhuma referência clara à um evento histórico como de praxe), só que agora dentro de uma trama, ainda que esta ainda esteja em constante debate.

“É o maior e mais fascinante conto de todos. A clássica história do Bem versus o Mal, mas sem garantias de modo algum que os caras bons irão vencer. Nada e ninguém sai dessa história ileso. O que é a história de todos na verdade, não é? Ninguém passa sua vida sentindo o aroma das rosas em todo lugar que vai; é uma batalha constante para tentar ficar são, para atravessar todas as dificuldades que aparecem nos nossos caminhos. Para achar alguma espécie de significado, algum padrão. Ao mesmo tempo, há mais do que isso. É uma fábula mítica, a saga do sétimo filho do sétimo filho, que permite que nossa imaginação se liberte”

Bruce Dickinson

Por mais que carregue todo o status de fase experimental, do álbum mais progressivo da carreira, este é o mais fácil de se digerir por outro lado. Ainda que o o ritmo pulsante do baixo cavalgado de Harris e da bateria de Mcbrain garantam o peso, o suave e melódico trabalho de guitarras da dupla Smith e Murray (que aqui encontram a sintonia perfeita) somado aos refrões grudentos tornaram os 4 singles (“Infinite Dreams”, Can I Play With Madness”, “The Evil That Men Do” e “The Clairvoyant”) hits instantâneos.

Tanto que “Can I Play Wih Madness” foi a primeira canção da banda a figurar entre as três primeiras das paradas britânicas, embora o sucesso comercial não fosse o real objetivo por trás deste, que possivelmente é o álbum mais melódico do Iron Maiden. Isso num registro recheado de linhas como “Don’t you dare to save your son/Kill him now and the young ones”, Be the devil’s own/Lucifer’s my name” e “Heard the cry of the seventh whistlers/Lucifer smiles looks on and waits” em tempos que o PRMC (Parents Music Resource Center) promovia uma verdadeira caça às bruxas à atos importantes de Heavy Metal, Punk e Hip Hop, por linguagem considerada profana.

Os sintetizadores, tão criticados em 1986, deram lugar aos teclados, que são mais discretos, mas fundamentais para marcar o clima de canções como a épica “Seventh Son of a Seventh Son” e a introdução de “Moonchild”.

Já Dickinson, cujas composições (recheadas de material acústico e longo do estilo tradicional da banda) foram rechaçadas em 1986 é possivelmente o maior entusiasta do projeto. No ápice da forma, Bruce provou em “Seventh Son of a Seventh Son” que além de ótimo cantor, é um grande intérprete, assumindo o papel do diabo em “Moonchild”, encarnando as dúvidas e reflexões do protagonista em “Infinite Dreams” e entonando a narração profética da faixa título.

Depois de escrever o álbum mais ousado da carreira, Harris sentiu que a volta às raízes (em 1990, com “No Prayer for the Dying”) seria o caminho mais adequado. Adrian Smith (o grande mentor da fase experimentalista), sentindo que este seria um passo reverso, abandonou o barco para continuar suas experimentações com o ASAP (hard rock recheado de sintetizadores e teclados, beirando o Pop Metal), o Psycho Motel (um heavy metal/grunge calcado nos passos do Alice in Chains) e o metal moderno da carreira solo de Bruce Dickinson até sua volta em 1999 junto com o vocalista para “Brave New World”.

“Se ‘The Number of the Beast’ trouxe o heavy metal corretamente para os anos 80, o que eu realmente acho que aconteceu, então com “Seventh Son of a Seventh Son” eu acho que mostramos o caminho para o heavy metal na década de 90″

Bruce Dickinson

Sem dúvida, a comparação que Bruce Dickinson fez com “Dark Side of the Moon” em conversa com o jornalista Mick Wall em 1988 soa pretensiosa, embora este seja o mais rebuscado e intrincado de todos os álbuns de estúdio que a banda até então fizera. O fato é que “Seventh Son of a Seventh Son” não é fruto de uma reinvenção completa, até segue uma mesma fórmula de sucesso (embora abra concessões para canções levemente mais comerciais que o padrão), mas continua sendo o elo perfeito entre o Iron Maiden atual e o dos anos 80.

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