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The Dark Side Of The Moon – Pink Floyd

Quase uma década depois de sua estréia, o Pink Floyd finalmente cria seu primeiro álbum conceitual. Nele, Roger Waters divaga sobre a condição humana entre as pressões do mundo moderno, como o dinheiro, o medo da morte, a transição para a vida adulta e a insanidade.

 

O comportamento errático de Syd Barrett devido ao abuso de psicotrópicos levou à sua saída do Pink Floyd no final dos anos 60. Até então, uma banda promissora no cenário psicodélico, com um líder inovador, a saída de seu principal compositor deixou o Floyd sem rumo por quase 5 anos. Foram também 5 álbuns. Entre eles, trilhas sonoras, suítes progressivas e experimentações sem um direcionamento muito claro até o Pink Floyd começar a esculpir um dos álbuns mais icônicos da história da música em 1972/73, “The Dark Side Of The Moon”.

O álbum revela o baixista Roger Waters como o novo líder criativo e conceitual da banda, que ainda que tivesse uma bagagem de experiência, mostrava um frescor único, como se este fosse seu álbum de estréia. A ironia é que se Syd Barrett era a força motriz por trás do som do Pink Floyd nos primeiros anos, é inspirado em grande parte nele, que aqui Waters se baseia para construir o primeiro álbum conceitual do grupo.

“The Dark Side Of The Moon” é uma reflexão das pressões e medos provenientes da vida moderna. Ele permeia os processos da vida que possam levar alguém à um estado lunático, insano. Desde temas como a passagem do tempo (“Time”), a falta de escolhas (“Any Colour You Like” e “Breathe”), viagens (“On The Run”), guerras (“Us and Them”), ganância (“Money”) e o medo da morte (“The Great Gig In The Sky”), cada faixa constrói uma pequena parte do conceito final do disco, que atinge o ápice na insanidade de “Brain Damage”, um tributo ao estado mental de Syd.

Se a ideia era criar um álbum cíclico, o Pink Floyd o fez muito bem (e se tornaria um mestre nessa arte). As letras de Waters estão tão bem amarradas que transmitem exatamente a ideia de nascimento, vida e morte, com todos as variáveis que possam levar alguém à um estado de loucura absoluta.

Mais do que isso, o álbum é um convite à reflexão. Se apropriando de temas filosóficos e questionamentos sobre a humanidade e o sentido da vida no mundo moderno, o Pink Floyd criou um álbum rico em camadas conceituais, elevando o rock à um estado de intelectualidade nunca visto até então.

“Existem várias coisas que caracterizam um indivíduo e dão cor à sua existência. As pressões te levam para uma ou outra direção e o álbum traz algumas delas. Elas tem empurram para a loucura, morte, empatia, ganância. Algo no conceito newtoniano sobre essa física é interessante e pode ter nos influenciado”

Roger Waters

Não são apenas as frases reflexivas que constroem o conceito de “The Dark Side Of The Moon”. O Pink Floyd, que já havia usado a música concreta em outros momentos (a suíte “Echoes” é o melhor exemplo), coloca diversos elementos sonoros que identificam temas centrais de cada faixa. O pulsar do coração batendo no início e no fim do álbum, o badalar dos múltiplos relógios de “Time”, as viagens e os saltos temporais na velocidade das 8 notas sintetizadas de “On The Run”, o compassado som de caixas registradores e moedas de “Money” e as risadas insanas de “Brain Damage” são exemplos de como Waters e o engenheiro de som, Alan Parsons, buscavam ilustrar seu conceito com sons do ambiente.

O resultado é um som único, mesclando o melhor da tecnologia de gravação da época, longas viagens instrumentais e elementos da música concreta que funcionam como ilustrações para as temáticas e reflexões propostas.

Sonoramente, o disco resvala nas influências do Space Rock, que o próprio Floyd ajudou a construir no final dos anos 60. Sem virtuosismos, Nick Mason, Richard Wright, Roger Waters e David Gilmour mantém um ritmo etéreo e compassado, sem grandes exaltações, a exceção de trechos do hit “Money” e de “Eclipse”, a última faixa. Conceitualmente, da mesma forma, não há uma indignação raivosa que caracterizaria o Punk Rock, embora haja uma ironia fina em diversas faixas. Também não há nenhuma longa suíte progressiva, ainda que as passagens instrumentais e espaços sonoros deem um respiro para o conteúdo filosófico das letras de Waters, especialmente nas vozes ressonantes de “Us and Them”, ao passo que Gilmour marca seu estilo de fraseado de guitarra único e inconfundível em “Time” e “Breathe”.

De longe, “The Dark Side Of The Moon” não é o álbum mais irônico, muito menos o mais questionador da carreira do Pink Floyd, porém as críticas de Waters à uma sociedade gananciosa, conflituosa e sádica, além do retrato da falta de escolha e liberdade num mundo caótico de “The Wall” já aparecem em grande parte das letras deste trabalho.

Também é o despertar de uma banda para o sucesso comercial e a formação de uma sonoridade original, que se tornaria identitária ao grupo.

“Nós quatro discutimos sobre como montar o álbum e criar um tema, que hoje é chamado de álbum conceitual”

Nick Mason

Muito mais do que um marco na carreira de Waters, Gilmour, Mason e Wright, até então este era o álbum que melhor reunia 3 diferentes aspectos em uma obra só: qualidade de som e gravação, efeitos de estúdio e conceito.

Se hoje o Pink Floyd é tratado como um deus do álbum conceitual, “The Dark Side Of The Moon” é o primeiro passo dessa história.

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