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The Kinks Are the Village Green Preservation Society – The Kinks

“Face to Face”, o primeiro esforço conceitual do The Kinks se mostrou um fracasso. Dois anos depois, Ray Davies resolver dar uma nova chance à um álbum conceitual. Fascinado pela estrutura social e personagens da vida inglesa, o The Kinks criou um manifesto nostálgico dos antigos costumes do país.

 

Quando se pensa em The Kinks, o que logo vem a mente é “You Really Got Me”, a canção de grande sucesso comercial, escrita em 1964 e que se tornou uma das maiores influências para o surgimento do Hard Rock e do Heavy Metal com o trio Zeppelin, Sabbath e Purple. Embora sua importância seja inegável (afinal, foi o primeiro hit a ser escrito essencialmente sob power-chords), a maior realização artística da banda viria poucos anos depois, com o amadurecimento repentino das composições e das temáticas abordadas por Ray Davies, o guitarrista-vocalista e líder do Kinks.

À medida que a psicodelia cada vez mais tomava conta do cenário cultural, e as bandas flertavam com o experimentalismo e as drogas, Ray Davies tomou o caminho oposto ao criar uma obra nostálgica sobre os antigos costumes ingleses.

“The Kinks Are The Village Green Preservation Society” é o esforço mais trabalhado do grupo. Nada antes já feito pelo quarteto inglês havia chegado perto do manifesto às tradições inglesas, sonorizado pelo Folk Rock e pelo Music Hall britânico.

Em “Face to Face”, Ray Davies já começava a demonstrar tanto interesse pelas estruturas sociais da sociedade inglesa como pela ideia de um álbum conceitual , ao criar personagens e ambientações tipicamente inglesas e vinhetas que conectavam as canções, como em “Party Line” e “Rainy Day in June”. O som também já era uma ruptura com o rock e o R&B proeminente dos três primeiros álbuns. Um ano depois, “Something Else” deu um passo além, com o grupo se aproximando do Music Hall assim como Paul McCartney havia feito em “Sgt. Pepper’s”.

Finalmente, em 1968, o Kinks lançaria o seu álbum mais ambicioso, o seu próprio “Sgt. Pepper’s. Recém-chegado de uma viagem à região rural de Devon, Davies compôs “Village Green”, uma ode à antiga vida no campo, que marcou o pontapé para a criação do conceito.

“The Kinks Are The Village Green Preservation Society” é essencialmente um álbum nostálgico, que relembra os velhos costumes (“The Village Green Preservation Society”), amigos perdidos (“Do You Remember Walter”), memórias (“Picture Book”, “People Take Pictures of Each Other”), fantasias de infância (“Phenomenal Cat”, “Wicked Anabella”), vida no campo (“Animal Farm”, “Village Green”) e tecnologias obsoletas (“Last of the Steam Powered Trains”). Sob um sentimento de ternura com o passado, Ray Davies cria uma imagem utópica de uma época, com seus personagens, histórias e contos, ainda que há um pouco de pesar pela inexistência desse imaginário.

Na contramão do processo cultural e da própria essência da banda, era meio claro que o tempo em que o The Kinks era um hitmaker havia passado, embora as canções aqui tivessem um grande potencial, pois eram melódicas e sem dúvidas, as melhores que Ray Davies já havia escrito. Além do mais, era um dos primeiros álbuns dentro do rock a apresentar um conceito claro, onde todas as canções estavam conectadas por uma linha de pensamento, ao passo que diversos grupos se aventuravam com conceitos pouco definidos e desorientados.

A exemplo dos Beach Boys, a mudança sonora e conceitual do grupo se mostrou desastrosa comercialmente. Para piorar, o álbum foi lançado no exato dia que o álbum branco dos Beatles chegava às lojas.

Num ano recheado de bons discos (“The Beatles”, “Electric Ladyland”, “Beggars Banquet”, “Astral Weeks”) e debuts de Steppenwolf, Creedence, Jeff Beck, Deep Purple e Jethro Tull, o álbum do Kinks ficou meio esquecido em meio ao movimento psicodélico, mas até hoje se mantém como um dos marcos essenciais da música.

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