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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars – David Bowie

Ziggy Stardust, um alienígena, assume forma humana como um rockstar e junto com o Spiders from Mars, são possivelmente a última banda de rock da história. Num futuro distópico, onde o planeta tem apenas mais 5 anos de vida, Ziggy vem para salvar o mundo, porém sucumbe nos excessos provocados pelo Rock n’ Roll.

 

Um dos artistas mais inovadores e um ícone cultural dos últimos 40 anos, David Bowie ganhou o apelido de ‘camaleão do rock’ pela incrível capacidade de se reinventar e de transformar a música que produz. Em 1972, às vésperas do álbum que mudaria tudo para Bowie, sua carreira já era marcada pela capacidade inventiva de transitar por gêneros distintos. Tanto o disco homônimo de estreia, influenciado pelas experiências de Paul McCartney com o Music Hall, o diversificado “Space Oddity”, o Hard Rock de “The Man Who Sold the World” e o pop cativante de “Hunky Dory” mostravam um artista completo, original e antenado com a efervescência cultural da Inglaterra do final dos anos 60. A aparência excêntrica também chocava, dando o tom da estética do Glam Rock, gênero que Bowie ajudou a fundar em 1970. As aparições com roupas extravagantes e a sexualidade provocativa mudariam o cenário musical de uma forma até então nunca vista.

A obsessão pela fama fez Bowie dar passar errados em sua trajetória, que no fundo se mostraram um fracasso. Um disco infantil, atuações em comerciais, participações em peças de teatros e álbuns com um resultado negativo comercialmente. No entanto, foram essas experiências que moldaram o DNA musical e teatral do criador de Ziggy Stardust, o rockstar fictício de “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”.

No entanto, até 1972, David Bowie, ainda que um ícone Glam ao lado de Marc Bolan e o T. Rex, era uma estrela menor no cenário pop. Destinado a alcançar o estrelato, finalmente David colocaria Ziggy Stardust em prática.

Poucas semanas após o lançamento de “Hunky Dory”, o “The Spiders from Mars”, formado pelo brilhante guitarrista Mick Ronson, o baixista trevor Bolder e o baterista Mick Woodmansey, entrou em estúdio com Bowie para gravar o álbum. No entanto, o pop melodioso do predecessor se transformaria num hard rock selvagem, influenciado pelo Velvet Underground e pelo Stooges (ainda grupos de menor expressão no cenário), recuperando o proto-punk de “The Man Who Sold the World” de 1970, assim como contém uma grande influência dos primórdios do Rock n’ Roll, nos anos 50.

“Ziggy Stardust, de fato, catapultou-o para o universo. É um disco extraordinário e ainda soa incrível”

Elton John 

A ideia de David Bowie era misturar Rock n’ Roll com teatro. A turnê de promoção do álbum no ano seguinte foi um choque. As pessoas realmente acreditavam nessa persona chamada Ziggy Stardust, o alienígena em forma de rockstar que viera salvar o planeta.

A criação do The Who, “Tommy” foi elevada à um novo patamar. Agora a ópera rock tinha muito mais do que uma história com personagens e uma crítica embutida. Havia o elemento teatral, que tornava tudo aquilo ainda mais real.

Partindo da criação de uma nova imagem, um alter-ego, tudo era feito para se parecer ainda mais autêntico. Os Spiders from Mars deveriam se parecer com uma gangue, pegando emprestado um conceito em “Laranja Mecânica”, recém lançado. Os próprios figurinos foram criados para dar um ar futurista, andrógeno e excêntrico. Entretanto, não foram apenas as roupas e os cortes de cabelo exóticos que chocariam as plateias. As declarações de Bowie acerca da sua sexualidade causariam ainda mais espanto para a sociedade da época e tornariam a homossexualidade, um assunto nacional.

A homossexualidade de Bowie libertou muita gente no Reino Unido e a apresentação de “Starman”, um dos singles mais bem sucedidos de sua carreira, no Top of the Pops apresentou Ziggy Stardust para 15 milhões de pessoas em apenas 3 minutos, e de cara preencheu um vazio enorme na música popular. Era o primeiro single de sucesso desde “Space Oddity”. David Bowie finalmente alcançava o estrelato.

Foi a presença de palco e a mistura de coreografia, mímica, figurinos exóticos e iluminação que revolucionaram o mercado do Rock n’ Roll para sempre. David Bowie criou a fórmula e mostrou a todos como uma banda de Rock deveria se apresentar dali em diante.

O Glam estourou e logo se tornou um fenômeno no Reino Unido. Slade, Mott the Hoople, Roxy Music e Sweet apareceram, mas Bowie fez mais ao impactar a cena de tal forma que artistas consagrados como Rolling Stones, Elton John e Rod Stewart aderiram ao movimento.

Enquanto David Bowie e sua banda eram praticamente os únicos a obterem um reconhecimento nos Estados Unidos, a maioria dos grupos Glam não chegava perto do fenômeno da “Bowiemania” e de sua inovação.

“Quando saiu como Ziggy Stardust, era como uma instalação de arte. Era impressionante! Sua presença de palco era extraordinária. David era tão glamoroso, belo e andrógeno. E sensual.”

Elton John

Assim como o conceito teatral e visual de Ziggy era inovador, o álbum soa como se fosse a estreia da carreira de Bowie. Sob seus esboços acústicos, os Spiders from Mars esculpiram belas baladas (“Lady Stardust”, “Five Years”), pérolas proto-punk (“Hang On To Yourself”, “Suffragette City”) e hits eternos (“Starman”, “Ziggy Stardust”). “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” não foi apenas um marco para o Glam, como se tornou o arquétipo do rock dos anos 70.

Ziggy Stardust cria um clima futurista, porém não menos realista. O conceito de uma sociedade distópica e prestes a entrar em colapso se assemelha bastante tanto à recessão que a Inglaterra vivia no período, como o período da Guerra Fria. O álbum toca em questões até hoje pertinentes, mas tão identificadas com a própria história do Rock e de David Bowie, como identidade de gênero, suicídio, fama e arrogância.

“Uma gloriosa ópera rock futurista que nos leva ao inevitável e trágico final sob os poderosos power chords de Mick Ronson”

New Musical Express

É seguro dizer que David Bowie foi para os anos 70 o que os Beatles foram para os 60. Depois de por um fim repentino à Ziggy Stardust e aos Spiders from Mars em julho de 1973, Bowie continuou lançando álbuns inovadores e criando tendências por quase uma década, assim como ainda criou personagens tão expressivos quanto Ziggy, o mais famoso deles. O alienígena apareceu e sumiu num piscar de olhos, mas o impacto foi tão grande que se criou uma mitologia em torno de sua história.

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