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The Who Sell Out – The Who

“The Who Sell Out” é mais do que uma fina ironia ao consumismo, é uma paródia das consequências da fama vivida pelo The Who. Recheado de jingles entre as canções, o álbum soa como uma transmissão de uma rádio pirata.

 

O ano de 1967 se tornou um ano especial na história da música, especialmente para o movimento de contracultura, representado na música pelo rock psicodélico. Os Beatles apresentaram o álbum mais ambicioso da história do rock (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”), os Stones respondiam com “Their Satanic Majesties Request”, tanto Jefferson Airplane como The Animals (agora sob o nome de Eric Burdon & The Animals) davam os primeiros passos pela psicodelia, The Doors, Jimi Hendrix, The Velvet Underground e Pink Floyd lançavam seus álbuns de estréia e finalmente um dos grupos mais promissores do Reino Unido, o The Who aos poucos se aproximava dos dois gigantes ingleses, Beatles e Stones.

Ainda mais selvagens que os Rolling Stones, ao final de 67, o The Who finalmente foi reconhecido como a terceira grande banda britânica após uma monumental aparição no Festival Pop de Monterey, o primeiro grande festival de rock da história (e possivelmente o mais importante) e o lançamento de seu terceiro álbum de estúdio alguns meses depois, em dezembro.

O The Who já havia causado impacto com as apresentações energéticas onde o baterista Keith Moon e o guitarrista Pete Townshend destruíam seus intrumentos ao final das apresentações. Musicalmente, o The Who também chamava atenção, com hinos pop como “My Generation” e “I Can’t Explain”. E um ano antes do turbulento ano de 1967, o The Who já havia apresentado a ideia da mini-ópera em “A Quick One, While He’s Away”, uma canção quase autobiográfica da infância de Townshend, de mais de 9 minutos dividida em 6 seções. Um embrião do rock progressivo, esta seria de fato, a primeira experiência concreta da ópera rock que o The Who desenvolveria em 1969.

Porém, em 1967, Pete Townshend avançou ainda mais a ideia de escrever uma obra inteiramente conceitual. “The Who Sell Out” não se destacava pelas canções terem uma mesma temática, no entanto estas eram unidas por jingles publicitários falsos e anúncios da finada rádio pirata ‘Radio London’, passando a impressão de que de fato, estávamos ouvindo a rádio em questão.

Os jingles aparecem comumente entre as faixas (no começo ou no final), porém alguns deles são próprias faixas compostas pelo grupo, como o anúncio de feijões cozidos da Heinz ou a cômica Odorono, sobre o desodorante da marca norte-americana.

“Nessa época, nós estávamos trabalhando em novas ideias para o álbum. Eu podia ver que nós tínhamos um álbum de boas músicas, mas não havia nada que o diferenciasse de nosso último LP, ‘A Quick One’. Era preciso algo para destacá-lo. Nós pensamos em usar um instrumental poderoso que havíamos feito para a Coca Cola, e então eu o liguei com a peça ‘Jaguar’. Então, claro, nós pensamos, ‘Por que não fazer um lado inteiro de comerciais?’ Assim que as coisas progrediram, nós percebemos que todo o álbum poderia ser construído nesse aspecto do anúncio publicitário. Na mesma época, a Radio London e as rádios piratas estavam sendo banidas. Você não percebe o quão boas são as rádios piratas até elas sumirem – então para dar ao álbum aquele sabor etéreo de uma estação de rádio pirata, nós incorporamos alguns ótimos jingles.”

Pete Townshend

Mais do que uma sátira ao consumismo, “The Who Sell Out” era o The Who zombando e ironizando o próprio sucesso e fama, como é reforçado nas fotos promocionais da capa e contracapa do álbum. E homenageando as rádios piratas, cujo apoio foi fundamental para o sucesso dos primeiros singles dos ingleses em 1965.

Diferentemente dos dois álbuns anteriores, o grupo deixa de lado o Rock para mostrar um lado mais comercial e pop, cunhando o termo Power Pop para designar um estilo marcado por riffs de guitarra, fortes melodias e cada vez menos influência do R&B. Apesar desta constatação parecer uma simplificação do som do The Who, os avanços nas composições de Townshend são notáveis. A beleza das melodias e da instrumentação de “Tattoo” e “Our Love Was” (um belo exemplo da influência dos Beach Boys) são sublimes, ao passo que o hit “I Can See For Miles” mantém a reputação de ícones do até então primitivo Hard Rock.

Da mesma forma, a significativa melhoria na construção de personagens e arcos narrativos são provas claras da evolução do guitarrista como compositor. Tanto a empatia que sentimos pela personagem na trágicômica “Odorono”, o retrato do avarento Silas em “Silas Stingy” e a épica mini-ópera “Rael” desembocariam em “Tommy”, a primeira ópera rock do The Who.

Mesmo as experimentações sonoras são calculadas ao máximo para não soarem exageradas. Nada de longas suítes cheias de sons estranhos e instrumentação exótica. Cada som diferente do espectro sonoro do The Who é colocado no lugar certo.

Irônico, melódico e conciso, mais do que uma prévia do projeto mais ambicioso de Pete Townshend e do The Who até então, “Tommy”, “The Who Sell Out” é um marco na história do álbum conceitual.

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